quinta-feira, 18 de setembro de 2008

sábado, 31 de maio de 2008

A Norma Benguell vai tomar gostoso



Comercial de 1958 com Norma Benguell, Márcia de Windsor e Branca Ribeiro.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Encontraram o padre voador

Ele é o mais novo integrante de Lost.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Saramago no cinema



Espero que não seja a mesma decepção de "Cem Anos de Solidão", o livro de Gabriel Garcia Márquez. Pelo menos, "Ensaio sobre a Cegueira" tem a direção do brasileiro Fernando Meirelles.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Pra prefeito do Rio, vote em cabra-macho!


O bom e velho novo

(Tutty Vasques)

A bossa nova, o Maracanã, as sandálias Havaianas, o traço do Niemeyer, o biscoito Globo, a Luiza Brunet, certas coisas não envelhecem nunca, mas nem sempre isso é elogio. Tem gente que passa pela vida como promessa de renovação sem conseguir produzir concretamente nada de novo que justifique tal expectativa. O imaturo, em geral, é um jovem que não soube envelhecer. Pior ainda quando a juventude vira luta contra o tempo. Tudo tem sua hora, ou nada sobreviveria a modismos e a gerações.

Lugar na história não aceita reservas nem queixas pela falta de
oportunidade para chegar lá. Você será o que você faz, só muito depois ficamos sabendo quem fez por merecer a posteridade, ainda que só no seu quarteirão. Quantos aqui de passagem não se dariam por satisfeitos com o carimbo de gente boa em sua figurinha no álbum da turma da esquina? Não há nada de errado com a falta de ambição pública. Costumam ser pessoas adoráveis – e de grande serventia para a sociedade – os que têm a dar ao mundo o bom exemplo de cuidar muito bem da própria vida, e olhe lá.

Não é evidentemente o caso de Fernando Gabeira, que ganhou projeção nacional comprando brigas nada pessoais como a defesa da privatização da telefonia, a quebra do monopólio da Petrobras, o rompimento com o PT e o passa-fora em Severino Cavalcanti na presidência da Câmara dos Deputados. O cara que a política não mudou manteve independência suficiente para ser ouvido em todo o país como uma voz quase sempre do lado certo do debate parlamentar.

Esse upgrade político abriu-lhe as portas, inclusive, de uma classe média carioca que até pouco tempo atrás ainda se assustava com as idéias desse ex-guerrilheiro meio desbundado, ligadão na natureza e na diversidade sexual, líder do movimento pela legalização da maconha... Posições, diga-se de passagem, que jamais abandonou e que lhe rendem o voto fiel de muita gente boa há quatro legislaturas. Gabeira carrega lá seus estigmas, mas virou uma espécie de maluco de estimação de todo eleitor careta, inclusive dos que jamais vão votar nele.

Há quase trinta anos, desde que voltou do exílio na Suécia (final de 1979), encarna aqui e ali a possibilidade daquele algo novo que, imagina-se, um dia virá nos redimir. O momento mais divertido dessa trajetória foi sua candidatura ao governo do estado em 1986, um projeto PV/PT de conciliação da política com o prazer. Quase uma porra-louquice. Sobrou Gabeira nos debates e nas ruas – quem é do tempo há de se lembrar da borboleta-símbolo de sua campanha –, mas, Deus sabe o que faz, faltaram-lhe votos para superar Darcy Ribeiro e, mais ainda, Moreira Franco. De qualquer forma, 529 603 votos num candidato alternativo demais para a época, francamente, não eram coisa para jogar fora.

Gabeira completou 67 anos agora em fevereiro, continua sendo o que há de mais moderno na política brasileira, mas seu eleitorado mais tradicional – ainda que orgulhoso com o reconhecimento federal do desempenho corajoso de seu candidato – se ressentia de uma atitude mais transformadora do nobre deputado. Gabeira é hoje um político que pensa e age diferente da maioria, mas, a bem da verdade, seu estilo não se reproduziu no cativeiro do Congresso Nacional. É líder da bancada do eu sozinho, tem o dom de ser sempre o cara certo no lugar certo, de se fazer ouvir onde ninguém se entende, mas isso é pouco, muito pouco para as expectativas de mudanças que personifica há tanto tempo.


E o que mudou nestes últimos trinta anos? Há mais de uma década, pelo menos, eleição majoritária no Rio virou um dever cívico praticado na fronteira entre o tormento da véspera e a vergonha do day after do voto carioca. Quantos de nós não sufragamos um candidato ruim para tentar fazer frente a outro pior ainda e, mais trágico de tudo, fomos derrotados. O deserto de idéias administrativas é hoje tão flagrante no Rio quanto o mar, as montanhas, as lagoas, a baía... Francamente, não sei nem como Cesar Maia ainda não tombou a mediocridade.

É de compreender, portanto, a alegria quase juvenil que tomou conta de um bando de gente avisada nesta semana de que, após uma temporada de relutância, Fernando Gabeira aceitou o convite de uma frente de partidos para lançar sua candidatura a prefeito do Rio. Isso quer dizer o seguinte: o bom e velho "novo" está de volta e, com um pouco de sorte, o debate político do segundo semestre talvez fique mais divertido e inteligente.

Cá para nós, se for minimamente interessante, já está ótimo, né não?

A gente merece, ainda que, no final, a velha falta de idéias prevaleça.